quinta-feira, 9 de junho de 2011

amador, semiprofissional, profissional

No intuito de esclarecer se existem ou não fotógrafos e câmaras profissionais, semiprofissionais e amadoras, é que resolvi publicar esta postagem. Já li várias opiniões, consultei dicionários e analisei a prática do uso dos termos, e o resultado a que chego é que, invariavelmente, essas palavras vão sempre deixar aberta brechas para segundas interpretações, algumas delas até fazendo sentido. Porém, há uma interpretação, a qual explico a partir do próximo parágrafo, onde me parece razoavelmente claro para se ter como a principal, tanto no que se refere aos termos quando ligados à pessoa, quanto quando a um equipamento.

Os termos quanto a pessoa
Fotógrafo amador – É aquele, não importa o nível de sabedoria, especialização e qualidade de trabalho, que não ganha dinheiro da atividade de fotógrafo;
Fotógrafo semiprofissional – É aquele, não importa o nível de sabedoria, especialização e qualidade de trabalho, ganha dinheiro da atividade de fotógrafo, mas não o suficiente para seu sustento;
Fotógrafo profissional – É aquele, não importa o nível de sabedoria, especialização e qualidade de trabalho, ganha dinheiro da atividade de fotógrafo, e mesmo que tenha outra atividade remunerada em conjunto, a de fotógrafo apenas, seria suficiente para prover seu sustento.

Nota sobre ‘seu sustento’
Quando falo ‘seu sustento’, não me refiro a um salário mínimo ou um salário específico, mas sim a um que seja considerado pelo própria pessoa que o recebe como o mínimo apropriado ao seu padrão de vida, podendo então, variar de pessoa p’ra pessoa.

Exemplo: Sendo eu casado e tendo um filho, poderíamos dizer que uma renda familar de 1.500 reais seria capaz de nos sustentar, mas quando levo em consideração o meu padrão de vida onde moro e um mínimo que se situe não no piso em si mas entre ele e o que eu consideraria a medianiz (ponto este entre o piso e o teto), tenho que agora 3.500 seria o mínimo ideal ao meu sustento.

(Este é apenas um exemplo e não reflete a realidade de quem vos escreveu esta postagem.)

Então, se sou fotógrafo e dele tiro todo o meu sustento (mínimo considerado, por mim, adequado ao meu padrão de vida), sou um profissional, independentemente da minha sabedoria na área, de quanto especializado sou, e da qualidade do trabalho.

Se caso meu trabalho como fotógrafo não me proporciona ainda o sustento mínimo que considero adequado, então sou um semiprofissional. Mesmo que eu tenha o sustento por causa de outros trabalhos além da fotografia, vou continuar sendo um semiprofissional da fotografia caso, na ausência dos outros trabalhos, a fonte de renda provinda da fotografia seja insuficiente.

Semiprofissional como sinônimo de profissional meiassola
Uma das definições que encontramos ao pesquisar por ‘profissional’ em dicionários é ‘pessoa especializada’, consequentemente então, deduzimos que o semi- seria um menos especializado, e isto pegou como uma cola miserável, onde agora parece ser a única definição válida, a principal, quando na verdade não é.

’Profissional’ e ‘semiprofissional’ não são palavras toda autônomas, e tal como todo substantivo, são passíveis de uso de adjetivos. Então, um profissional pode ser bom ou mal, e um semiprofissional idem. Foi a necessidade de transformar ‘profissional’ num ser todo poderoso que desencadeou seu uso confuso nos dias de hoje.

Os termos quanto a equipamento
Antes de mais nada, a palavra amador(a), semiprofissional e profissional não se aplicam diretamente como adjetivos a equipamentos. Até certo extento, podem ser, mas isso não é apropriado. Os equipamentos são ligados a esses termos como estes sendo substantivos, e sendo assim, temos então, equipamentos ‘para pessoas que são’ amadoras, equipamentos ‘para pessoas que são’ semiprofissionais, e equipamentos ‘para pessoas que são’ profissionais.

O que ocorre é que não precisamos necessariamente ter que falar tudo, e acabamos por excuir a parte ‘para pessoas que são’. Pensando desta maneira, tudo se resolve e os conflitos acabam. Quando ler algo ou escutar dizerem 'câmara profissional’, pensa apenas que a pessoa quis dizer ‘câmara [para pessoas que são] profissionais’. Então, o equipamento pode ser básico, intermediário ou avançado (e/ou outras coisas mais), mas não amadora, semiprofissional ou profissional no sentido adjetivo de ser, como se fosse uma qualidade. Nada disso, esquece isso.

E se alguém insiste em se autoafirmar profissional
ou dizer que o produto é, sem serem?

Bom, sejamos pacientes. Em todas as áreas hão de haver pessoas que mal interpretam termos, é normal. Até mesmo empresas podem exagerar ou mesmo chegar ao ponto do absurdo. Caso do saite da Canon-USA (na data desta postagem), onde lista em produtos profissionais ninguém menos que a S95. A G12 também ‘tá lá, mas ainda acredito que pudesse ser considerada semi-, pois se respeitado os limites (trabalhar em ISO200 p’ra baixo, em RAW,…), aguenta razoável rotina de trabalho. Mas, a S95… Só a abertura da lente e sua aparência nada imposta, já a tira do jogo facilmente.

Vejamos os termos quanto a produtos (câmara, como exemplo)
Câmara amadora – É aquela que, não importa o nível de ajustes, sua qualidade e seu formato, é claramente produzida tendo em vista pessoas que intentam, em primeiro lugar, utilizar como ferramenta doméstica, por hobby, ou trabalho não remunerado.

Mesmo que tenha tudo p’ra ser uma “semiprofissional” ou “profissional”, sempre vai haver algum detalhe que a faça ser vista com olhos menos sérios em determinados momentos. Uma amadora, por mais longe que vá, mostra limites mais cedo;

Câmara semiprofissional – É aquela que, não importa o nível de ajustes, sua qualidade e seu formato, é claramente produzida tendo em vista pessoas que se aventuram como fotógrafos profissionais, mas que ao final das contas, não são ainda, ou apenas dão de.

A máquina passa credibilidade e até pode vir a ser utilizada por um profissional, mas vai estar sempre um passo atrás de uma (para quem é) profissional, pois uma para este tipo de consumidor, não perdoa aventureiros (por causa do preço que pede e alto custo de manutenção [se usar pouco]).

Câmara profissional – É aquela que, não importa o nível de ajustes, sua qualidade e seu formato, foi claramente desenvolvida a proporcionar o máximo em velocidade, qualidade de imagem, robustez, e tem um custo de manutenção abaixo dos outros tipos de máquina se consider um uso pesado.

Como dito num parágrafo anterior, um equipamento profissional (um equipamento para fotógrafos profissionais) não perdoa aventureiros (amadores e semiprofissionais), pois quando utilizado sob baixa ou média demanda, pode representar menos economia.

Polêmica de se dizer que é sem ser
Em muitas ocasiões, pessoas e até mesmo fabricantes, afirmam determinado produto ser (para) semi- ou profissional quando na verdade não é bem isso que o bom senso diria. Um exemplo recente e claro, que fiquei sabendo através de uma comunidade de fotografia na qual participo, é com a Canon.

No site da Canon americana, se você acessar a área de produtos profissionais de imagem, e depois em câmaras compactas digitais, vai ver lá listados ninguém menos que as PowerShot G12 e S95. Embora apenas o desempenho em ISO elevado seja o que considero uma desvantagem em relação a uma profissional, seu porte não impacta, e isto por si só, já a desqualificaria, pois é difícil passar confiança utilizando uma máquina dessa num grande evento, não acha?

A S95 então, pff. Piada de mau gosto da Canon. Sem chance alguma. E por quê ‘tá lá como profissional? Acontece. Em todas as áreas da vida, e em todos os assuntos, há sempre quem faça mal uso de um termo. Nem adianta discutir muito isso. O bom senso diz uma coisa, mas cada um é livre para empregar uma palavra como queira. Neste ponto, é realmente complicado falar de amadorismo, semiprofissionalismo e profissionalismo.

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