quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

compactas avançadas – nova referência

Câmara fotográfica compacta avançada é aquela cujas características possibilitam o ajuste preciso de exposição, rende cores muito bem e tem uma lente de ótima qualidade. É aquela câmara preferida do amador com “segundas” intenções e uma boa opção ao profissional que procura uma companhia que possa carregar discretamente. Por muitos anos, a série PowerShot G da Canon tem sido a referência. Muitos anos depois, veio a LX3 da Panasonic, e meio que dividiu a categoria em duas: as compactas avançadas com zum longo e as compactas avançadas de alta luminosidade. Agora a Olympus, com sua recém-anunciada XZ-1, dá um novo gás, ao diminuir a diferença entre ter zum longo e ser super luminosa.


Olympus XZ-1
O melhor lançamento nessa categoria desde a LX3.

Nessa categoria já brigou muito antes Canon, Nikon, Olympus, Sony e outras marcas. O mercado chegou em 2007 com quase que apenas a Canon tendo um produto realmente decente, com praticamente só a série LX da Panasonic mostrando alguma vontade real de competir. A série PowerShot G da Canon nasceu com o intuito de ser aquela compacta avançada e exclusiva e segue essa linha até hoje. Nesse ano, a G9 contava com um desenho misto de contemporâneo e clássico, um acabamento e robustez de primeira, sapata para ‘flash’ externo, 12 MP, modo RAW, monitor de 3 pol, e tudo mais que um amador e profissional gostaria de ter em ajustabilidade e compacticidade. A lente era um espetáculo a parte em termos de qualidade, com focal equivalente a 35-210 mm e abertura ƒ/2,8-4,8 (nada mal). A rival LX2, da Panasonic, parecia um experimento da G9, mas inferior.

g12
Canon PowerShot G12
Lente escura força uso de ISO 200-400 na maioria das ocasiões,
e visor ótico é incompreensivelmente o oposto (ruim) do que a máquina sugere.

Em 2008, porém, a Panasonic lançou a sucessora da LX2, a LX3, e para a surpresa de todos, acabou com a festança da G9. Ela trazia inovações pra época e conseguiu vencer esta Canon em todos os aspectos (inclusive qualidade de imagem) senão num único: o zum contido, abrindo a adoráveis 24 mm (equiv) mas fechando a medíocres 60. Além disso, tinha 10 MP, indo de contra a cultura rídicula de quanto mais MP melhor, e filmava em qualidade HD a 24 fps. O resultado foi um sucesso absoluto (entre quem entendia de fotografia) e a meio que divisão da categoria das compactas avançadas, já que agora tínhamos a série G investindo em zum e aberturas médios, e a LX em zum curto e aberturas grandes. A LX3 também tinha opcionais, filtros (polarizador, ND), estojo, visor ótico, ‘flash’ e um conversor ótico que transformava os 24 mm em interessantíssimos 18 mm!

p7000
Nikon Coolpix P7000
Lente escura força uso de ISO 200-400 na maioria das ocasiões,
estilo pobremente copiado da G12, falta de fluidez de operação e, cara!

Ainda no mesmo ano, a Nikon lança a P6000, seguindo a linha da Canon G, trazendo GPS, 13,5 MP e estabilizador ótico. Mas, nada de filmar. Um mês depois da Nikon, a Canon contrataca com a G10, trazendo como grandes destaques, um sensor de 14,7 MP, zum agora iniciando em 28 mm e monitor de 400-e-poucos kP de resolução (tal como na P6000). Bom, apesar do positivo apelo e os benvidos 28 mm de início de zum das duas, essa resolução de monitor a LX3 já tinha, o vídeo desta já era superior ao VGA da G10, e os quase 5 MP (e 3,5 da P6000) a mais só se mostraram extremamente desvantajosos ao ajudarem a produzir bem mais ruído que a LX3 em ISO elevado (se bem que, em ISO baixo, a nitidez da G10 se tornou referência). Foi, ao final, o péssimo desempenho em ISO alto dessas que deu espaço para a LX3 aparecer.


Panasonic Lumix DMC-LX5
A LX3 quando foi lançada, revolucionou, já a LX5,
apesar de melhor em tudo (menos na nitidez canto a canto),
deixou claro que a Panasonic quis concentrar esforços em outros produtos.

Após quase um ano sem lançamentos de rivais, a LX3 teve tempo para chamar a atenção de profissionais e amadores. Teve tudo a favor: foi uma câmara muito bem resolvida (como não se via há anos) e aclamada por toda mão em que passava por avaliação. A Canon G11, lançada em 2009, seguiu a fórmula de desenho e versatilidade da antecessora, mas finalmente reconheceu a grandeza da coragem da Panasonic em retroceder nos MP para o benefício das imagens em ISO elevado. A adoção de um monitor articulável foi, na verdade, um resgate, já que até a G6, todas tinham. O desempenho em ISO baixo continuou referência e melhou em ISO elevado (mas ainda não convincente se comparado a LX3); e adotaram uma porta HDMI. O vídeo, porém, continuou VGA.


Samsung EX1/TL500
Vídeo medíocre. Melhor tentar botar logo na cabeça que ela não filma.

Apesar da nitidez da G11 ser impressionante em ISO 100, e de esta série realmente deixar o mercado ansioso e ruendo unhas para ver como será a próxima G, foi a Samsung, marca não tradicional da fotografia, que fez por onde desviar a atenção em 2009 na categoria das avançadas compactas. A EX1 (como conhecida no mercado americano, e TL500 no europeu) seguiu a fórmula da LX3. A câmara é idêntica na maioria dos aspectos, mas claro, tirou algumas cartas da manga. P’ra começar, a lente, que também alemã, terminava o zum em 72 invés de 60 mm, e a gama da abertura ia dos incríveis ƒ/1,8 a 2,4. Só isso já deu muito o que falar. Mas tinha mais. Um monitor OLED articulável de 3 pol e discos seletores frontal e traseiro eram outros mais. A filmagem, porém, é VGA e uma negação.


Canon PowerShot G11
O reconhecimento de que mais que 10 MP era desnecessário ao
propósito da câmara resultou em muito crédito à Panasonic.

Quase que no mesmo momento, Canon e Nikon renovam sua série de compactas avanças. A Nikon alguns dias antes com a Coolpix P7000 e logo depois a Canon com a PowerShot G12. A P7000 chegou ainda mais próximo do estilo e especificações da G12, e enxergando-a do ponto de vista de qualidade de imagem, funções, ótica e acabamento, poderia ser motivo de preocupação à Canon não fosse sua fluência operacional aquém da da G12 e o preço superior (totalmente injustificável, pois nem o monitor articulável ela tem; ou quer ser uma Leica da vida à força? [se bem que as Leica atuais são caras, mas não deixam de, além do nome, oferecerem muito). Claro que há característivas exclusivas, como a entrada para microfone externo, que é um grande benefício para vídeos, que aliás, nas duas é HD a 24 fps. Mas não vai muito além. O desenho, vale notar, imita vergonhosamente a G11, sem conseguir adicionar ou dar personalidade. Se você comparar lado a lado as máquinas, a P7000 parece apagada.

 canon_g10
Canon PowerShot G10
14,7 MP e muito ruído em ISO já acima de 200.

Como deu p’ra perceber, após o lançamento da LX3, a categoria das compactas avançadas se dividiu. A Nikon seguiu a Canon, dando prioridade a mais gama zum e volume em detrimento da luminosidade da lente, já a Samsung seguiu a Panasonic, ao preferir menos corpo e um zum menos versátil mas de luminosidade excepcional. Pasme!, a G12 e P7000 ainda vêm com visor ótico, que embora tenha utilidade, nelas isto é incompreensivelmente ruim. A atualização da LX3, a LX5, tão ansiosamente aguardada, é, p’ra mim, não grande coisa. Não passa de uma LX3 mexida (ou LX3 versão 2, hehe), e não uma nova LX. Claro que melhorou em praticamente todos os aspectos, mas não faz jus ao ruído que fez sua antecessora. Eu esperava algo mais. A lente avançou aos 90 mm, passando dos 72 da Samsung, mas a abertura de ƒ/3,3 nessa focal, faz parecer que apenas pegaram a original e esticaram, pois antes os 60 mm era a 2,8, fazendo-se crer que, seguindo adiante a 90, também resultaria mais ou menos nesses 3,3. Me parece, até agora, que a Panasonic quis concentrar mais esforços p’ra dar mais gás na sua participação na categoria das compactas avançadas de sensor APS e Micro 4/3 (mais especificmente a série GF), mercado já bem abocanhado pela Olympus e Sony com suas PL e NEX, respectivamente.

p6000
Nikon Coolpix P6000
Lente muito escura e, também, 13,5 MP que só resultaram em excesso de ruído.
Obs: Vê como a linha P7000 se apagou ao tentar imitar a G11.

O que parecia estar temporariamente sem definição, no caso a divisão da categoria, recebeu um reboliço que parece colocar um novo eixo, uma nova referência. A Olympus lançou a XZ-1, que embora se baseie na linha que seguem as Panasonic LX e Samsung EX, aumentou a gama zum a um patamar semelhante ao da Canon G12. A ZX-1 traz um zum que vai de 28 a 112 mm. Tudo bem que ainda não alcance os 140 da G12, mas a abertura ƒ/1,8 a 2,5 dá mais de 2 pontos de vantagem! P’ra ser sincero, visualmente falando, a G12 é a que mais toca as pessoas no sentido de passar de instante aquela impressão de máquina de exclusividade e robustez (embora não seja o gosto de todos, lógico), então, considerando isto, a G12 com uma lente tão luminosa quanto as XZ-1, LX5 e EX1/TL500 é o que bastava para retomar a posição de líder em compacta avançada, que, neste momento, não tenho dúvidas de que vai ser a XZ-1.

E a Canon S95?
Apesar da lente iniciar em abertura ƒ/2,0 e possuir modo RAW, o final do zum é tão escuro, e a máquina tão compacta que, pelo menos p’ra mim, não consigo encaixá-la no terreno das outras. Até porque ela não é compacta, mas super compacta. De repente uma terceira divisão da categoria; super compacta avançada…


Canon PowerShot S95
Uma (boazudinha) estranha no ninho.

Sim, mas aí? Qual é a melhor?
Não quero terminar esta postagem sendo imparcial, pois certamente pode ser você aqui aquele procurando por uma dica concreta de alguém que entende. Não vou deixá-lo chupando dedo.

Ficou claro que temos três vias: as compactas avançadas de zum longo, as compactas avançadas super luminosas e as, melhor, a super compacta avançada, já que neste caso temos apenas a Canon S95. Entre a Canon G12 e Nikon P7000, a G12 é uma escolha tranquila. Já entre a Olympus XZ-1, Panasonic LX5 e Samsung EX1, esta última.

Hã? Por quê a Samsung?
A Olympus promete ser a melhor, mas ainda não dá p’ra confirmar isto, pois o que há na ‘net sobre ela trata-se de um pré-produto (que pode sofrer pequenas alterações até chegar nas lojas). A Samsung EX1/TL500, quando fotografado em RAW, pode produzir imagens muito boas, e uni-se a isto, a excelente lente e o monitor, não só articulável, mas de qualidade referência, e o fato de não ser tão especulada quanto as outras, e a tenho como vencedora.

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