quarta-feira, 15 de setembro de 2010

monorreflexo, monodireto, e "agora", monotranslúcido

Em 1949 a Contax introduziu no mercado a primeira câmara fotográfica de formato SLR, ou monorreflexo, tal como conhecemos hoje. Em 2008 a Panasonic deu o passo inicial para as de formato SLD, ou monodireto, e agora (agosto passado para ser mais preciso) a Sony ressucita para o consumidor comum um formato que já fez sucesso há décadas atrás em câmaras de filme, mas entre profissionais. É o formato SLT, ou monotranslúcido, introduzido agora na era digital com as Alpha SLT-A33 e A55, as quais a seguir vamos conhecer um pouquinho mais.

sona55Sony Alpha SLT-A55 e A33 são idênticas externamente

Como funciona o formato SLT e suas vantagens
Para melhor figurar o esquema do formato SLT, imagina uma SLR primeiro. Na SLT temos um espelho fixo semitransparente invés do espelho normal e móvel; e o pentaprima, ou pentaespelho, é removido e em seu lugar colocado o sistema de autofocagem e o visor eletrônico, ou EVF. Por causa do EVF e o sistema de autofocagem estarem localizados onde antes ficara o pentaprisma/espelho, a máquina fica externamente com uma aparência ainda muito parecida com uma SLR.

sona55-insideA parte de luz desviada p’ra cima bate no sensor AF, no lugar
onde fica uma tela de focalização no esquema SLR (abaixo)

No esquema de captura de luz no formato SLT das Sony A33 e A55, a luz advinda da lente bate na película semitransparente e, invés de ser quase toda refletida, deixa passar 70 % dessa luz diretamente para o sensor e 30 % é desviada para cima, para o sistema de autofocagem. Isto permite que a câmara usufrua de duas grandes vantagens que os outros formatos não podem ter ao mesmo tempo. Das SLR, as SLT têm a vantagem da autocagem por detecção de fase, mais eficiente, rápido e confiável que o de por detecção de contraste, utitlizado como único sistema nas SLD. E das SLD, as SLT têm a vantagem do sensor ficar sempre exposto, o que significa que a pessoa vê no monitor e no EVF a imagem exatamente como vai ser capturada, algo não possível (eficientemente) nas SLR. Resumidamente então, o formato SLT na era digital tem a vantagem de:
, focar ainda mais rapidamente, especialmente em filmagem;
, diminuir o ruído pela ausência de movimento do espelho;
, aumentar bastante a velocidade em modo de foto contínua;
E , possibilitar visualizar pré-ajustes em tempo real.

slr-cutthru 
Trajeto da luz numa SLR. Logo abaixo
temos o que ocorre quando a câmara bate.
Embora seja uma foto de câmara antiga,
as DSLR funcionam do mesmo jeitinho.

sld-cutthru
No caso das SLD, a imagem em nenhum momento
sofre desvio; não há espelho

Desvantagens do formato SLT
As SLD têm a vantagem de excluírem do seu desenho fatores que há muito tempo eram impedimento para o desenvolvimento de melhores lentes e para o alcance de imagens mais limpas, mais nítidas. Elas não têm obstáculos óticos entre a lente e a câmara, caso das SLT, e nem longo flange, caso das SLR. O espelho translúcido dessas SLT, porém, representa um elemento ótico a mais por onde a imagem deve passar antes de atingir o sensor, e isso pode resultar na intensificação de reflexos e aumento do efeito
haze quando sob certas condições de contraluz. E o flange longo, como também no caso das SLR, impende importantes avanços em projeto de melhores lentes (grandeangulares em especial).

Observação curiosa e importante: O espaço entre o espelho e o sensor é aberto, o que significa que ao trocar de lente, se entrar sujeira, não só o espelho quanto o sensor será sujo. Embora o espelho seja fixo, ele pode ser suspenso manualmente para facilitar o acesso ao sensor. O sensor, por sinal, é autolimpante e aciona-se automaticamente ao desligar a máquina. Mas só o grosso sai, e certamente depois de um bom tempo de uso da câmara será necessária uma limpeza mais delicada. O curioso é que esse espaço entre o espelho e o sensor não necessitava ser aberto, e assim pouparia o sensor de ter de ser limpado. Nem eu imagino e nem achei ainda algo a respeito do porquê da Sony deixar esse espaço aberto.

O formato SLT nas antigas
Em 1965 a Canon lançou a primeira câmara SLT, chamada Pellix. Invés do espelho móvel, um espelho-película que refratava e desviava a mesma quantidade das SLT Sony, mas como não havia sistema de autofocagem nem visor digital em câmaras fotográficas daquela época, continuava a situar-se acima o visor ótico, sendo então o espelho fixo semitransparente a única diferença. O visor ótico, recebendo apenas 30 % da luz, era realmente escuro, e isso limitou seu uso a profissionais que demandavam um equipamento menos barulhento (para fotografia animal) e menos trepidante (para macrofotografia e foto astronômica).

canpellix
Canon Pellix. Primeira SLT (1965)

Pelos anos que se seguiram, Nikon (F2H, F3H) e Mamiya também produziram modelos SLT, mas foi a Canon (Pellix, F-1 HS, EOS RT, EOS-1N RS) a que mais investiu no formato.

caneos-1nrsCanon EOS-1N RS (1995)
(10 fps com AF, 14 sem!)

Os frutos da fusão com a KonicaMinolta
Não poderia ser diferente a sequência de lançamentos de sucesso da Sony em fotografia de 2008 p'ra cá. A incorporação da KM trouxe para o departamento de desenvolvimento os engenheiros mais criativos dessa área na minha opinião, talvez perdendo apenas para a Canon (e olha lá). Quem teve a oportunidade de conhecer a acompanhar de perto boa parte da história dos tempos da Minolta até a KM, como eu mesmo, sabe do que falo. A Sony tem lá seus próprios méritos, e foi provavelmente a empresa que mais empurrou o mercado popular das digitais, infelizmente quase nunca alcançando um nível de qualidade de imagem à altura da ousadia que representavam suas câmaras em termos de desenho e características, mas seu grande empenho e atividade na área já davam sinais das ambiciosas pretensões.

sonmavica

Sony Mavica
(Primeira SLR digital, em 1982!)

min7000Minolta 7000 (o nascimento da marca Alpha, repara o símbolo)
(A primeira SLR de foco automático do mundo, lançada em 1985)
(No mercado americano e europeu, porém, eram comercializadas
como Maxxum e Dynax, respectivamente. Alpha era no Japão)

O fraco ‘marketing’ da KM a deixou vulnerável, e era o que a Sony tinha de melhor. Foi um casamento perfeito e na hora perfeita, onde cada uma empresa deu a outra exatamente o que se esperava. A adoção das óticas G invés de Carl Zeiss, a desenvoltura das recentes super compactas, as SLD NEX ultra finas de curtíssimo flange com suas vistosas lentes de tubos metálicos cromados polidos e excelente desempenho em ISO altos, as acessíveis e parrudas profissionais de sensor quadrocheio estabilizado A850 e A900, e agora as A33 e A55, mostram na prática o resultado dessa incorporação premiada. A Sony está muito próxima de se consagrar definitivamente entre os profissionais mais exigentes. Tecnologia tem, ousadia tem, estilo tem, ‘marketing’ tem, preço tem, e finalmente, sensor de qualidade, agora tem; e os benefícios da fusão também rendem significativos avanços em outros setores da Sony, como o de filmadoras.

Grandes destaques das Sony A33 e A55 
Sistema SLT – Permite reduzir o volume da máquina, realizar a autofocagem durante a captura de filmagem, e aumentar substancialmente da cadência no modo fotossequência;
Visor EVF – Até uns poucos dois anos atrás poderia ser uma desvantagem, mas o da A33 e A55 (e provavelmente dos próximos lançamentos também) é convincentemente resolutivo, incomumente (e felizmente) bem ampliado, multiinformativo, de apresentação precisa de cores, e de gama dinâmica alta (consegue exibir melhor altasluzes e sombras);
Monitor super articulável – Câmaras com monitores articuláveis, tal como EVF, não são novidades, mas tal como estas Sony mandam melhor nos seus EVF, também é assim com seus monitores, que articulam 180° a cima e baixo e 270° pros lados;
Estabilizador de imagem no sensor – Diferentemente de depender da lente vir com essa funcionalidade, caso das Canon e Nikon, a A33 e A55 (tal como todas as intercambiáveis Sony e Pentax) vêm com o sistema montado no próprio sensor, o que significa que você tem esse benefício independentemente da lente que utilizar, permitindo obter resultados satisfatórios em velocidades de obturação de até 1/2 s;
Entrada para microfone – Filmagens obtidas com câmaras de sensor grande são um espetáculo a parte, facilmente podendo essas filmagens (com certas precauções) serem utilizadas profissionalmente, e não faz sentido ao meu ver, tanta imagem para pouco som. Depender apenas do microfone interno, que capta até ruídos de manuseio da própria câmara e lente é uma contradição, e por isto, tal como entende a Canon (mas incompreensivelmente não Nikon e Pentax), a Sony incorpora na A33 e A55 entradas para microfone externo, versatilizando consideravelmente o modo de filmagem (nas outras há entrada, mas em modelos que custam bem mais);
Sistema de Posicionamento Global (GPS) – O modelo A55 embute sistema GPS que permite marcar as fotos com a posição em latitude, longitude e altitude, podendo ser automaticamente integradas ao Google Maps para mostrar o ponto exato onde foram batidas;
ISO até 25600 – Embora esse valor seja olhado com certo ceticismo, a Sony conseguiu aplicá-lo com sucesso. Pelo menos nos testes que vi, puts…;
Nivelador eletrônico – O ajuste preciso do alinhamento vertical e horizontal da imagem é grandemente facilitado através de um sistema eletrônico exibido no monitor e EVF. Ótimo para produzir fotografias de horizontes perfeitamente alinhadas, por exemplo;
Entrada para SD – Finalmente caído na real da baixa popularidade e versatilidade do seu cartão proprietário Memory Stick, as A33 e A55 também aceitam cartões da família SD (incluíndo SDHC e SDXC), extremamente populares e baratos;
7 e 10 fps – Mesmo sendo direcionada a concorrer na categoria da Canon EOS Rebel T2i/550D, Nikon D3100 e D5000 e Pentax K-x (e já já K-r), a A33 e A55 são capazes de fotografar continuadamente a uma cadência, até seus anunciamento, só possível com modelos do naipe da Canon EOS 7D e Nikon D300s;
Filmagem em Full HD – Além de utilizar o formato AVCHD, menos volumoso de manusear, toma proveito do sistema de autofocagem contínua por detecção de fase (não possível com câmaras SLR e SLD), bem mais rápido em eficiente;
Live View com aumento – Significa que a imagem exibida no monitor pode ser aumentada em 2 x e no visor até 15 x, muito útil para facilitar o processo de ajuste preciso do foco em modo manual e automático, em situações como macrofotografia, por exemplo;
Detecção de face também para autofocagem – Tal como a detecção de face em medição ajuda na correta exposição do tom de pele da pessoa, a detecção de face na focagem ajuda a definir melhor a profundidade de campo e o ponto de foco no rosto;
‘Sweep Panorama’ – Através de uma nova tecnologia, é possível bater fotos panorâmicas de uma maneira, poderíamos dizer, mais fácil impossível. Para tal, basta pressionar o disparador e girar a câmara no sentido horizontal;
3D – Além das interessantes panorâmicas, é possível criá-las ao mesmo tempo também em 3D (incluindo aí o aspecto 16:9), sem a utilizagem de acessório qualquer, para serem visualizadas nas TV Sony Bravia que incorporam essa tecnologia.

Considerações finais
As Sony Alpha SLT-A33 e A55 são em sua categoria de preço e ao público alvo as melhores opções do mercado, sem dúvidas. Não são excessivamente leves e são bem menores e versáteis que suas concorrentes diretas (com excessão da Pentax K-x, que se aproxima em compacticidade), mais ainda sendo mais versáteis que as SLD. Foi uma jogada audaciosa optar por uma alternativa ao tradicional sistema SLR e ao novíssimo e promissor SLD. Embora sejam apenas as primeiras de uma nova família, já chegaram maduras e bem resolvidas. Agora é esperar p’ra ver como a Canon, Nikon e Pentax reagirão a essa investida de sucesso.

Especificações técnicas da A55 (diferenças da A33 no final):

MATERIAL DO CORPO

Plástico

SENSOR DE IMAGEM

Tipo CMOS, tamanho APS-C, 16,2 Mp efetivos, filtro de cor RGB

RESOLUÇÕES (FOTO)

Em 3:2: 4912 x 3264 (16 Mp), 3568 x 2368 (8,4 Mp), 2448 x 1624 (4 Mp); Em 16:9: 4912 x 2760, 3568 x 2000 e 2448 x 1376

RESOLUÇÕES (VÍDEO)

Em AVCHD: 1920 x 1080 a 59,94 fps interlaçado (29,97p); Em Motion JPEG: 1440 x 1080 a 29,97 ou 25 fps (dependendo da região), 640 x 480 a 29,97 fps

ASPECTOS DE TELA

3:2 e 16:9, e variável em Sweep Panorama

TIPOS DE ARQUIVOS

De foto: RAW, RAW + JPEG, RAW + JPEG Fine (melhor), JPEG (EXIF 2.2) Fine e JPEG (EXIF 2.2) Standard (padrão); De vídeo: AVCHD e QuickTime Motion JPEG

MONTAGEM DE LENTE

Sony A e Konica-Minolta AF
FOCALIZAÇÂO Autofoco (por detecção de fase, 15 pontos), manual, AF com Detecção de Face, e Autofoco Rastreado
ESTABILIZAÇÃO DE IMAGEM Super SteadyShot INSIDE
MODOS DE EXPOSIÇÃO Programa, Prioridade de Abertura, Prioridade de Velocidade, Manual, Auto, Auto +, Alta velocidade (10 fps), Sweep Panorama (2D/3D), SCN (ver abaixo) e ‘Flash’ desativado
MODOS DE CENA Em foto: Retrato, Ação Esporte, Macro, Paisagem, Por-do-sol, Visão Noturna, Anoitecer a Mão, e Retrato Noturno; Em vídeo: Retrato, Ação Esporte, Macro, Paisagem, Por-do-sol, Vista Noturna, Anoitecer a Mão, e Retrato Noturno
SENSIBILIDADES Auto, ISO Inteligente, ISO100, 200, 400, 800, 1600, 3200, 6400, 12800, 25600 (este em modo NR multibatida, apenas JPEG)
AJUSTE DE ISO Em 1/3 passos, ou pontos de EV1
LATITUDE DE MEDIÇÃO EV-2 a 17
MODOS DE MEDIÇÃO Multisseguimento de 1200 zonas, Ponderado ao Centro, e Pontual
TRAVA DE MEDIÇÃO Por botão AEL/AFL, e por semipressionamento do disparador
‘BRACKETING’ 3 fotos, conpensadas em 1/3 ou 2/3 ponto
COMPENS. DE EXPOS. EV-2 a +2, em 1/3 passos de EV
OBTURAÇÃO De 60 a 1/4000 s mais B, com ‘flash’ sincronizado até 1/160 s
BALANÇO DE BRANCO Auto, Luz do dia, Sombra, Nublado, Incadescente, Fluorescente, ‘Flash’, Temp. Kelvin (2500 a 9900 K em passos de 100 K)
AJUSTE FINO DE WB Sim
ESPAÇO DE COR sRGB e Adobe RGB
PARÂMETROS DE IMAGEM Estilos Criativos (Padrão, Vivo, Retrato, Paisagem, Por-do-sol, B&W), Saturação (5 níveis), Contraste (5 níveis), Nitidez (5 níveis)
MODOS MOTOR Único, Contínuo Hi (6 fps), Contínuo Lo (3 fps), 10 fps em modo de alta velocidade
MEMÓRIA INTERMÉDIA 35 imagens em JPEG Fino, 39 em JPEG Padrão, 20 em RAW, 20 em RAW+JPEG
RETARDADOR DE DISPARO 2 e 10 s
‘FLASH’ Levantamento;ativação manual, com TTL auto e manual, n.o guia 10 m em ISO 100
MODOS DE ‘FLASH’ Auto, Preenchimento, Sincro’ lenta, Sincro’ posterior, Redução de olhos vermelhos, Remoto
COMPENS. DE ‘FLASH’ Até +/- 2 EV em 1/3 passo
VELÔ DE SINCRO’ DE ‘FLASH’ 1/160 s
‘FLASH’ EXTERNO Por sapata
VISOR Eletrônico colorido com 100 % de cobertura da imagem, 1,44 kp (dos quais 1,152 kp são utilizados), magnificação de 1,1 x, alívio ocular de 19 mm, ajuste de dioptria de -4 a +4, campo RGB sequencial
PREVISOR DE DOF Sim
SENSOR DE ORIENTAÇÃO Sim
MONITOR LCD-TFT policristalino de baixa temperatura, de 3 pol. e 921,6 kp com cobertura de aprox. 100 %, armação articulável até 180° a cima/a baixo e 180° aos lados, ajuste de brilho em 5 passos (-2 a +2) e modo Clima Ensolarado
FUNÇÕES DE REVER Único (com ou sem OSD, incluindo histograma RGB e alarme de altasluzes e sombras), exibição em miniatura (6 ou 12), modo de ampliação (L: até 11,8 x, M: até 8,8 x, S: até 6 x), Orientação de imagem (des/ativado), Apresentação, Rolagem panorâmica, Autorrevisão de 10/5/2 s (des/ativável), Pasta selecionável (p/ fotos), Câmara lenta (vídeo), Avanço rápido a frente e a trás (vídeo)
CONECTIVIDADE USB 2.0 (Alta Velocidade), HDMI tipo C
CONFORMES DE IMPRESSÃO ‘Exif Print’, ‘Print Image Matching III’, ajuste ‘DPOF’
ARMAZENAMENTO Cartão SD/SDHC/SDXC e MemoryStick Pro Duo
ENERGIA Bateria de íões de lítio recarregável NP-FW50, carregador incluído, adaptador AC vendido a parte
DIMENSÕES 12,4 x 9,2 x 8,5 cm
PESO Aprox. 441 g (corpo sem nada) e aprox. 500 g (corpo com cartão e bateria)

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